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Depois do nascimento de Omolu, Nanan teve dois filhos gêmeos. Um deles é Oxumaré; o outro é Ewá. De acordo com a maldição que caiu sobre Nanan, Oxumaré se tornou a serpente do arco-íris, ficando com todas as cores; para Ewá restou o branco e por isso ela ficou governando a chuva que provoca as enchentes e a lua cheia que fz com que as chuvas sejam mais fortes. Mas ela ficou livre da maldição e, por isso, é o Orixá da beleza e da alegria.

Havia uma mulher que tinha dois filhos, aos quais amava mais do que tudo. Levando as crianças, ela ia todos os dias à floresta em busca de lenha, lenha que ela recolhia e vendia no mercado para sustentar os filhos. Ewá, seu nome era Ewá e esse era seu trabalho, ia ao bosque com seus filhos todo dia.
Uma vez, os três estavam no bosque entretidos quando Ewá percebeu que se perdera. Por mais que procurasse se orientar, não pôde Ewá achar o caminho de volta. Mais e mais foram os três se embrenhando na floresta. As duas crianças começaram a reclamar de fome, de sede e de cansaço. Quanto mais andavam, maior era a sede, maior a fome. As crianças já não podiam andar e clamavam à mãe por água. Ewá procurava e não achava nenhuma fonte, nenhum riacho, nenhuma poça d’água. Os filhos já morriam de sede e Ewá se desesperava.
Ewá implorou aos deuses, pediu a Olodumare. Ela deitou-se junto aos filhos moribundos e, ali onde se encontrava, Ewá transformou-se numa nascente d’água. Jorrou da fonte água cristalina e fresca e as crianças beberam dela. E a água matou a sede das crianças. E os filhos de Ewá sobreviveram. Mataram a sede com a água de Ewá.
A fonte continuou jorrando e as águas se juntaram e formaram uma lagoa. A lagoa extravasou e as águas mais adiante originaram um novo rio.
Era o rio Ewá, o Odô Ewá.

Ewá, filha de Obatalá e Nanã, vivia em seu castelo como se estivesse numa clausura. O amor de Obatalá por ela era muito estranho. A fama da beleza e da castidade da princesa chegou a todas as partes, inclusive ao reino de Sango.
Mulherengo como era, Sango planejou como iria seduzir Ewá. Empregou-se como jardineiro no palácio de Obatalá. Um dia Ewá apareceu na janela e admirou-se de Sango. Nunca havia visto um homem como aquele. Não se tem notícia de como Ewá se entregou a Sango, no entanto, arrependida de seu ato, pediu ao pai que lhe enviasse a um lugar onde nenhum homem lhe enxergasse.
Obatalá deu-lhe o reino dos mortos. Desde então é Ewáquem, no cemitério, entrega a Oiá os cadáveres que Obaluaiê conduz para que Orisá-Okô os coma.

 

Um dos mitos diz que Ewá estava se banhando no rio enquanto suas mucamas lavava suas roupas, quando subitamente um jovem vestido de branco vinha correndo pelas margens do rio apavorado, pedido socorro à Ewá.
Ewá muito desconfiada, perguntou lhe o que estava acontecendo, ele lhe respondeu que estava sendo perseguido por Iku (a morte).

Ewá vendo que o rapaz estava sendo sincero em seu pedido ordenou a suas mucamas que o esconde-se em baixo de suas roupas que estava a lavar, logo após em sua perseguição vinha Iku perguntando à Ewá se a mesma havia visto um jovem passar por ali.
Ewá respondeu lhe então:
-
você não vê que estou a me banhar, respeite o banho da esposa do rei Omolu, e respeite as fronteiras do meu reinado;
Iku respondeu à Ewá:
- Iku não tem fronteiras, Iku se quiser mata reis e rainhas e destroí reinados. E Iku perguntou novamente onde estava o jovem e Ewá percebendo que Iku estava desconfiado ela lhe respondeu:
- ele desceu o rio, Iku então continuou á sua perseguição descendo o rio abaixo.
Em seguida o rapaz saiu debaixo dos panos agradecendo á Ewá, ela então lhe perguntou o seu nome e ele respondeu eu me chamo Ifá o deus da adivinhação.
Ifá disse á Ewá de hoje em diante você será a mãe da adivinhação.
Então Ewá iria lhe fazer uma pergunta e Ifá lhe respondeu:
- Ewá não diga nada, pois eu sei o que você quer, você deseja Ter a fertilidade, ela respondeu:
- sim, e ele disse não se preocupe Ewá você será fértil, então Ifá partiu. Com ao passar do tempo Ewá conseguirá dar a luz á seu filho e de Omolu. 

 

E ra mais do que o medo...era o medo... Era noite, na noite do medo... Era o vento, era a chuva, era o céu, era o mar... Era a vingança de Iansã... Eparrei!
Assustava o escuro da noite e assustava a luz azulada dos raios...
O silêncio se ouvia da noite nos pés medrosos que corriam sobre as poças de água na areia batida.
Até o silêncio fugia do rugido do trovão...
Era o medo, era mais do que medo de Ewa correndo com os pés descalços sobre as poças de areia batida.
O mar lambia seus pés, querendo tragá-la por sua boca faminta de coisas vivas,
A noite engolia em sua goela escura e a vomitava no clarão dos raios...
A luz azulada de raios brilhando no corpo nu e úmido de EWA...
Era mais do que medo... era o medo...
Era Iansã que vingava seu amor traído...
Era a senhora dos ventos que zuniam nas cabeleiras histéricas das palmeiras...
Era o céu que arregalava os olhos de fogo, procurando a fugitiva que corria sem onde se esconder...
As risadas do trovão divertiam-se com o medo de EWA... Ai EWA...
Por que cedeste este corpo moço e belo ao seu rei Sàngó?... Ai EWA...
Por que entregaste a maciez de teus seios e o mel de teu sexo ao esposo de Iansã?... Ai EWA...
Não sabias que a ira de Iansã é maior do que o desejo de Sàngó?
Ai EWA... Não sabias que a vingança de Iansã é a morte?
Era o canto de morte que o vento cantava entre as cabeleiras histéricas das palmeiras... Corre EWA... corre EWA...
Fujas das praias que não podem te abrigar...
Fujas para as matas que talvez possam te abrigar...
Era a morte na espada de Iansã brilhando na luz dos raios
Era o raio... era a vingança... era a morte...
Mas se na mata consegue se esconder
Pede ao rei de Keto, sua proteção... da fúria de Iansã... amparar...
Pede a Dada, a Deusa do sexo, sua ajuda...Ri Ro EWA Ai EWA
Provaste que nem mesmo a Iansã conseguiu a sua vingança de morte... Ri, da risada histérica da Iansã na garganta do céu...
No rugido do trovão... do lamento da Iansã...
A vingança não consumada... Eparrei! Ri Ro EWA!!!

Referência Bibliográfica:
VERGER, Pierre;  Orixás, Deuses Iorubás na Africa e no Novo Mundo;   5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997.
VERGER, Pierre; Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999.
e vários sites