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"Oya vivia com Ogum antes de ser mulher de Xangô. Ela ajudava Ogum no seu trabalho, carregava seus instrumentos, manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia Ogum deu a Oyá uma vara de ferro igual à que lhe pertencia, que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove, caso estas se tocassem em uma briga. Xangô gostava de se sentar perto da forja para apreciar Ogum bater o ferro e sempre lançava olhares a Oyá e ela por sua vez, também lançava olhares a Xangô. Xangô era muito elegante. Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá. Um dia Oyá e Xangô fugiram e Ogum lançou-se em perseguição deles. Encontrando os fugitivos, brandiu sua vara mágica, Oyá fez o mesmo e eles se toraram ao mesmo tempo. E assim que Ogum foi dividido em sete partes e Oyá em nove, recebeu o nome de Ògún Mejé e ela o de Iansâ".

Ogun
vivia em sua aldeia, quando foi requisitado para uma guerra, que não tinha data
para acabar. Antes de partir, ele exigiu que seus habitantes dedicassem um dia
em sua homenagem, fazendo o sacrifício de jejuar e fazer silêncio absoluto, além
de outras oferendas.
Partiu, em sua longa jornada, para os campos de batalha, onde permaneceu sete
anos. No regresso à sua aldeia, caminhou durante muitos dias, sentindo muito
cansaço. A fome e a sede também o atormentavam. Na primeira casa que encontrou
pediu água e comida, mas ninguém o atendeu, permanecendo calados e de olhos
fixos no chão.
Resolveu, então, fazer outra tentativa na próxima casa, mas a cena foi a
mesma, o que despertou sua ira. Ele esbravejou com os moradores, exigindo que
falassem com ele, mas ninguém o fez.
Não se conformava com tamanha falta de respeito, depois de ter lutado tanto!
Ogun esperava uma recepção calorosa em sua própria aldeia, mas, ao contrário,
só encontrou silêncio.
À medida que avançava
pelo interior da cidade, a mesma coisa se repetia, casa após casa. Ogun nem
imaginava o que estava acontecendo. Perguntava e não recebia resposta.
Sua ira já estava incontrolável, quando chegou ao centro do povoado, onde
haviam muitas pessoas. Estranhou o fato de ninguém estar conversando. Perguntou
a eles onde estavam suas famílias, mas não obteve resposta. Era uma afronta!
Foi assim que, evocando todos os seus poderes, Ogun dizimou sua própria aldeia.
Caçadores que passavam pela cidade, entre eles seu filho, o reconheceram e
tentaram aproximar-se. Vendo que sua cólera era imensa, resolveram evocar Exú
para acalmá-lo.
A ira desse orixá finalmente foi aplacada. Seu filho, indignado ao ver tanta
destruição, indagou o motivo que levou seu pai a cometer tal atrocidade. Ogun
respondeu que aquelas pessoas lhe faltaram com respeito quando não o
reconheceram. Precisavam de um castigo.
Foi, então, que seu filho fez-lhe lembrar da exigência que fizera antes de
partir para a guerra.
Ogun, tomado pelo remorso, devido à sua crueldade com pessoas que só estavam
obedecendo ordens, abriu o chão com sua espada enterrando-se de pé.

Ogum foi o segundo filho de Iemanjá e era muito ligado ao irmão mais velho, Exu. Os dois eram muito aventureiros e brincalhões, estavam sempre fazendo estrepolias juntos. Quando Exu foi expulso de casa pelos pais, Ogum ficou muito zangado e resolveu acompanhar o irmão. Foi atrás dele e por muito tempo os dois correram mundo juntos. Exu, o mais esperto, resolvia para onde iriam; e Ogum, o mais forte e guerreiro, ia vencendo todas as dificuldades do caminho. É por isso que Ogum sempre surge no culto logo depois de Exu, pois honrar seu irmão preferido é a melhor forma de agradá-lo; e enquanto Exu é o dono das encruzilhadas, Ogum governa a reta dos caminhos.

Depois que Exu foi expulso de casa pelos pais, ficou decidido que Ogum, o segundo filho, seria o sucessor do pai no governo. Entretanto, Ogum não gostava desse tipo de atividade. Seu prazer estava nas aventuras. Quando substituiu o pai durante uma viagem deste, Ogum deixou de lado as funções de governante, dedicando-se a passeios e confusões com os amigos. Estava sempre se metendo com as namoradas alheias e arrumando brigas. Para mantê-lo sossegado, então, o pai lhe deu o comando do exército e a missão de responder às agressões ao reino e de conquistar novos territórios. Nessas atividades, ele foi muito bem sucedido.
Referência Bibliográfica:
VERGER, Pierre; Orixás, Deuses Iorubás na Africa
e no Novo Mundo; 5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997.
VERGER, Pierre;
Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999.
e vários sites