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Para conseguir casar com Oxum, Oxóssi se disfarçou de mulher. Por causa disso, o filho dos dois nasceu bissexual, sendo uma ninfa da água doce como a mãe e um caçador da mata como o pai. As formas que ele tomou para viver essas duas faces são o peixe e o Martim Pescador, um pássaro que caça peixes. Assim, metade do tempo ele é o caçador dos peixes e, na outra metade, é o peixe marinho que é caçado. O Martim Pescador é servo de Oxóssi e o Peixe Marinho é servo de Oxum.
Diz a lenda que, quando LOGUNEDÉ nasceu, Oxum estava muito aborrecida porque Oxóssi havia perdido a virilidade e por que o filho era bissexual. Por isso, quando deixou Oxóssi, Oxum abandonou LOGUNEDÉ no meio do mato. O menino foi encontrado por Xangô, embora Oxóssi tenha percorrido todas as matas em busca do filho. LOGUNEDÉ nunca deixou de sentir ressentimento pela mãe e, depois de adulto, se manteve longe das mulheres. Ele se tornou pescador e marinheiro
Em outro episódio Logun vai brincar nas águas revoltas (a deusa Obá, também esposa de Xangô)) e esta tenta matá-lo como vingança contra Oxum que lhe fizera uma enorme falsidade. Oxum, vendo em seu jogo de búzios o que estava sucedendo com seu filho abandonado, pede a Orunmilá que o salve e este, que sempre atendia às preces da filha de Oxalá, faz uma oferenda a Obá que permite então que os pescadores salvem Logun-Edé, encarregando-o de proteger, a partir daquele dia, os pescadores, as navegações pelos rios e todos os que vivessem à beira das águas doces.

No
início dos tempos, cada orixá dominava um elemento da natureza, não
permitindo que nada, nem ninguém, o invadisse. Guardavam sua sabedoria como a
um tesouro.
É
nesse contexto que vivia a mãe das água doces, Oxun, e o grande caçador Odé.
Esses dois orixás constantemente discutiam sobre os limites de seus respectivos
reinados, que eram muito próximos.
Odé
ficava extremamente irritado quando o volume das águas aumentavam e
transbordavam de seus recipientes naturais, fazendo alagar toda a floresta. Oxun
argumentava, junto a ele, que sua água era necessária à irrigação e
fertilização da terra, missão que recebera de Olorun. Odé não lhe dava
ouvidos, dizendo que sua caça iria desaparecer com a inundação.
Olorun
resolveu intervir nessa guerra, separando bruscamente esses reinados, para
tentar apaziguá-los.
A
floresta de Odé logo começou a sentir os efeitos da ausência das águas. A
vegetação, que era exuberante, começou a secar, pois a terra não era mais fértil.
Os animais não conseguiam encontrar comida e faltava água para beber. A mata
estava morrendo e as caças tornavam-se cada vez mais raras. Odé não se
desesperou, achando que poderia encontrar alimento em outro lugar.
Oxun,
por sua vez, sentia-se muito só, sem a companhia das plantas e dos animais da
floresta, mas também não se abalava, pois ainda podia contar com a companhia
de seus filhos peixes para confortá-la.
Odé
andou pelas matas e florestas da Terra, mas não conseguia encontrar caça em
lugar algum. Em todos os lugares encontrava o mesmo cenário desolador. A
floresta estava morrendo e ele não podia fazer nada.
Desesperado,
foi até Olorun pedir ajuda para salvar seu reinado, que estava definhando. O
maior sábio de todos explicou-lhe que a falta d’água estava matando a
floresta, mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez foi necessário para acabar
com a guerra. A única salvação era a reconciliação.
Odé,
então, colocou seu orgulho de lado e foi procurar Oxun, propondo a ela uma trégua.
Como era de costume, ela não aceitou a proposta na primeira tentativa. Oxun
queria que Odé se desculpasse, reconhecendo suas qualidades. Ele, então,
compreendeu que seus reinos não poderiam sobreviver separados, unindo-se
novamente, com a benção de Olorun.
Dessa
união nasceu um novo orixá, um orixá príncipe, Logun-Edé, que iria
consolidar esse "casamento", bem como abrandar os ímpetos de seus
pais. Logun sempre ficou entre os dois, fixando-se nas margens das águas, onde
havia uma vegetação abundante. Sua intervenção era importante para evitar as
cheias, bem como a estiagem prolongada. Ele procurava manter o equilíbrio da
natureza, agindo sempre da melhor maneira para estabelecer a paz e a
fertilidade.

Conta
uma outra lenda que as terras e as águas estavam no mesmo nível, não havendo
limites definidos.
Logun,
que transitava livremente por esses dois domínios, sempre tropeçava quando
passava de um reinado para o outro. Esses acidentes deixavam Logun muito
irritado.
Um
dia, após ter ficado seis meses vivendo na água, tentou fazer a transição
para o reinado de seu pai, mas não conseguiu, pois a terra estava muito
escorregadia. Voltou, então, para o fundo do rio, onde começou a cavar
freneticamente, com a intenção de suavizar a passagem da água para a terra.
Com
essa escavação, machucou suas mãos, pés e cabeça, mas conseguiu fazer uma
passagem, que tornou mais fácil sua transição. Logun criou, assim, as margens
dos rios e córregos, onde passou a dominar. Por esse motivo, suas oferendas são
bem aceitas nesse local.

Logun-Edé era filho de Osun e Osóssi. Sem poder viver no palácio de Osun, foi
criado por Oiá na beira do rio. Osóssi seu pai, era demasiado rude e não
conseguia conviver com o filho, sumindo por longo tempo em suas caçadas. Logun,
afeiçoado pela mãe, vez por outra ia ao palácio de Sango, onde Osun vivia.
Logun vestia-se de mulher pois Sango era ciumento e não permitia a entrada de
homens em sua morada. Assim, Logun passava dias e dias vestido de mulher mas na
companhia de sua mãe e das outras rainhas.
Um dia houve uma grande festa no orun à qual todos os orisás compareceram com
seus melhores trajes. Logun-Edé, que vivia na beira do rio a caçar e pescar não
possuía trajes belos. Foi então que vestiu-se com as roupas que Osun lhe dera
para disfarçar-se e com elas foi à grande recepção. Ao chegar, todos ficaram
admirados com a beleza de Logun-Edé, e perguntavam: "Quem é esta
formosura tão parecida com Osun?". Ifá, muito curioso, chegou perto do
rapaz e levantou o filá que cobria seu rosto. Logun-Edé ficou desesperado e
saiu da festa correndo, com medo que todos descobrissem sua farsa. Entrou na
floresta correndo e foi avistado por Osóssi que o seguiu, sem reconhecê-lo,
encantado com sua beleza. Logun-Edé, de tanto correr fugindo à perseguição
do caçador, caiu cansado. Osóssi então atirou-se sobre ele e possuiu-o ali
mesmo.

Referência Bibliográfica:
VERGER, Pierre; Orixás, Deuses Iorubás na Africa
e no Novo Mundo; 5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997.
VERGER, Pierre;
Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999.
e vários sites