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Yemonjá,
grande orixá das águas, era filha de Olokun, o senhor dos oceanos. Era
possuidora de um grande instinto maternal, que fez dela mãe de dez
filhos. Embora casada, não tinha grande apego por seu marido. Às vezes,
pensava em deixá-lo, mas ele era um homem muito importante e poderoso, e
não permitiria tal desonra. Yemonjá também pensava no bem-estar de seus
filhos, não podendo deixá-los desamparados.
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Quando Obatalá e Odudua se
casaram, tiveram dois filhos: Iemanjá ( o mar ) e Aganju ( a terra ). Os irmãos
se casaram e tiveram um filho, Orungã ( o ar ). Quando cresceu, Orungã se
apaixonou pela mãe. Um dia, aproveitando a ausência do pai, tentou violentá-la.
Iemanjá conseguiu escapar e fugiu pelos campos. Quando Orungã já a alcançava,
ela caiu ao chão e morreu. Então seu corpo começou a crescer até que seus
seios se romperam e deles saíram dois grandes rios, que formaram os mares; e do
ventre saíram os Orixás que governam as 16 direcões do mundo: Exu, Ogum, Xangô,
Iansã, Ossain, Oxossi, Obá, Oxum, Dadá, Olocum, Oloxá, Okô, Okê, Ajê
Xalugá, Orum e Oxu.

Iemanjá teve muitos problemas com os filhos. Ossain, o mago, saiu de casa muito jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas. Contra os conselhos da mãe, Oxossi bebeu uma poção dada por Ossain e, enfeitiçado, foi viver com ele no mato. Passado o efeito da poção, ele voltou para casa mas Iemanjá, irritada, expulsou-o. Então Ogum a censurou por tratar mal o irmão. Desesperada por estar em conflito com os três filhos, Iemanjá chorou tanto que se derreteu e formou um rio que correu para o mar.

Olodumare
fez o mundo e repartiu entre os orisás vários poderes, dando a cada um
reino para cuidar.
A Esú deu o poder da comunicação e a posse das encruzilhadas. A Ogum o poder
de forjar os utensílios para agricultura e o domínio de todos os caminhos. A
Osóssi o poder sobre a caça e a fartura. A Obaluaê o poder de controlar as
doenças de pele. Osunarê seria o arco-íris, embelezaria a terra e comandaria
a chuva, trazendo sorte aos agricultores. Sango recebeu o poder da justiça e
sobre os trovões. Oiá reinaria sobre os mortos e teria poder sobre os raios.
Euá controlaria a subida dos mortos para o orun, bem como reinaria sobre
os cemitérios. Osun seria a divindade da beleza, da fertilidade das mulheres e
de todas as riquezas materiais da terra, bem como teria o poder de reinar sobre
os sentimentos de amor e ódio. Nanã recebeu a dádiva, por sua idade avançada,
de ser a pura sabedoria dos mais velhos, além de ser o final de todos os
mortais; nas profundezas de sua terra, os corpos dos mortos seriam recebidos. Além
disso do seu reino sairia a lama da qual Osalá modelaria os mortais, pois
Odudua já havia criado o mundo. Todo o processo de criação terminou com o
poder de Osogyian que inventou a cultura material.

Para
Yemonjá, Olodumare destinou os cuidados da casa de Osalá, assim como a criação
dos filhos e de todos os afazeres domésticos.
Yemonjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal,
todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como
escrava.
Durante muito tempo Yemonjá reclamou dessa condição e tanto falou, nos
ouvidos de Osalá, que este enlouqueceu. O ori (cabeça) de Osalá não suportou
os reclamos de Yemonjá.
Osalá ficou enfermo, Yemonjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em
poucos dias, utilizando-se de ori (banha vegetal), de omi-tutu (água fresca),
de obi (fruta conhecida como nóz-de-cola), eyelé-funfun (pombos brancos) e esò
(frutas) deliciosas e doces, curou Osalá.
Osalá agradecido foi a Olodumare pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de
cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é
homenageada quando se faz o bori (ritual propiciatório à cabeça) e demais
ritos à cabeça.

Yemonjá
seria a filha de Olokum, deus (em Benin e em Lagos) ou deusa (em Ifé) do mar.
Foi casada pela primeira vez com Orunmyila, senhor das adivinhações, depois
com Olofin-Oduduá, Rei de Ifé, com quem teve dez filhos, que se tornaram
Orisás.
De tanto amamentar seus filhos, seus seios ficaram enormes. Esta foi a origem
dos desentendimentos com o marido. Embora ela já o houvesse prevenido,
dizendo-lhe que jamais toleraria que ele ridicularizasse os seus seios, uma
noite o marido, que havia se embriagado com vinho de palma, não mais podendo
controlar suas palavras, fez comentários sobre seus seios voluminosos.
Tomada de cólera, Yemonjá fugiu em direção ao oeste, o "escurecer da
terra". Olokun lhe havia dado outrora, por medida de precaução, uma
garrafa contendo um preparado, pois "não-se-sabe-jamais-o-que-pode-acontecer-amanhã".
E assim Yemonjá foi instalar-se à oeste de Abeokutá, alusão à migração
dos Egbás.
Olofin-Oduduá lançou seu exército à procura de Yemonjá. Esta, cercada, em
vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa,
segundo as instruções recebidas. Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para
Okun, o mar, lugar de residência de Olokun.
Referência Bibliográfica:
VERGER, Pierre; Orixás, Deuses Iorubás na Africa
e no Novo Mundo; 5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997.
VERGER, Pierre;
Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999.
e vários sites