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Quando Nanã abandonou o primeiro filho, Orumilá ( o destino ) disse que ela iria ter um outro filho, tão belo quanto o arco-íris, mas que viveria longe dela, correndo mundo. Oxumaré nasceu como uma linda menina que recebeu o nome de Bessém; mas, seis meses depois, ela se transformou numa serpente que saiu se arrastando e pelos seis meses seguintes vagou pelo mundo. E esse foi seu destino desde então; por isso, Oxumaré tem ressentimento da mãe,pois não pode nem namorar, pois os homens fogem apavorados quando a moça vira cobra.

Quando Xangô e Oxum quiseram se casar, perceberam que seria difícil
viverem juntos, pois a casa de Oxum era no fundo do rio e Xangô morava por cima
das nuvens. Então, resolveram arranjar um criado que facilitasse a comunicação
entre os dois. Falaram com Oxumaré, que aceitou servir de mensageiro entre
eles. Só que, durante a metade do ano em que é o arco- íris, Oxumaré levava
as águas de Oxum para o céu; não chovia e a terra ficava seca. Por isso,
Oxumaré resolveu que, nos seis meses em que fosse cobra, deixaria o serviço.
Nesse período, Xangô precisa descer até Oxum, e então acontecem os temporais
da estação das chuvas.
Oxumaré era o babalaô da corte de um rei que,embora fosse rico e poderoso,
não pagava bem seu sacerdote, que vivia na pobreza. Certo dia, Oxumaré
perguntou a Ifá o que fazer para ter mais dinheiro; Ifá disse que, se ele lhe
fizesse uma oferenda, ele o tornaria muito rico. Oxumaré preparou tudo como
devia mas, no meio do ritual, foi chamado ao palácio. Não podendo interromper
o ritual, ele não foi; então, o rei suspendeu seu pagamento. Quando Oxumaré
pensava que ia morrer de fome, a rainha do reino vizinho chamou-o para tratar
seu filho doente e, como Oxumaré o salvou, a rainha pagou-o muito bem. Com medo
de perder o adivinho, o rei lhe deu ainda mais riquezas, e assim se cumpriu a
promessa de Ifá.

Houve um tempo em que Oxumaré viveu no meio dos mortais. Ele era um grande
babalaô, curandeiro e vidente. Seus dons eram tão grandes, que ele adivinhava
tudo que iria acontecer e orientava as pessoas para mudarem os fatos segundo seu
gosto. Isso começou a interferir nos destinos das pessoas e a prejudicar os
projetos dos Orixás. Por isso, os Orixás decidiram afastá-lo da humanidade.
Falaram com Olorum, que transformou Oxumaré num arco-íris, que deveria ficar
para sempre no céu. Mas Oxumaré tanto pediu, que conseguiu autorização para
voltar a ter contato com os humanos de 3 em 3 anos.
Òsùmàrè , filho de Nanã, nasceu com o destino de ser seis meses um monstro
com esse nome, e seis meses uma linda mulher chamada Bessem. Aos poucos Bessem
revoltou-se com sua mãe Nanã, pois não conseguia ter um amor que durasse por
muito tempo. Seu companheiro sempre desaparecia quando ela se transformava em
monstro.
Um dia Òsùmàrè encontrou Esú e este, como sempre apreciou criar discórdias,
semeou um conflito entre o deus do arco-íris e a velha Nanã, aconselhando
Osunmaré a tomar a coroa do reino de jeje, que pertencia a Nanã.
Òsùmàrè foi ao palácio de Nanã aterrorizando a todos. Nanã suplicou-lhe
que não matasse ninguém, tentando dissuadir o filho de seu intento. No entanto
acabou entregando-lhe sua coroa de rainha. Desde então Òsùmàrè reina sobre
os jejes, no entanto continua sendo um monstro chamado Osunmaré e uma linda
mulher chamada Bessem.
Irmão gêmeo de Ewá e tendo como irmãos
mais velhos Osayin e Obaluaê - todos filhos de Nanã - Osumare sempre foi
franzino , mas dotado de grande inteligência e capacidade. Um dia frente à
frente com OLOKUM, mãe de Yemonjá, perguntou-lhe como poderia achar pedras
brilhantes , preciosas. Osumare pensou e respondeu: -Senhora dos Oceanos, é
preciso que faças um investimento, me dando seis mil búzios (moeda
corrente)". "Sim respondeu, Olokum". Osumare apontou para a própria
casa de Olokum, o mar , explicando-lhe que nas partes rasas poderia encontrar o
que procurava. Olokum ficou tão feliz que deu à ele , além dos seis mil búzios
, a capacidade de transformar-se em serpente e poder , com a ponta do rabo tocar
a terra e com a cabeça tocar o céu. Com tal poder Osumare transformou-se em
serpente esticou-se até a terra de Olorum, no céu e com os seus seis mil búzios
falou ao criador: -"Pai cheguei até o Senhor. Tive de esticar-me demais
para pedir-lhe ajuda, para fazer de mim aquele que tem capacidade de dobrar tudo
que tem". E Olorum dobrou o número de búzios de seis para doze mil. Daí
pra frente Osumare passou a ser consultado sobre os grandes negócios. Xangô
fez dele seu consultor e grande conselheiro, aumentando sua riqueza de Deus do
Trovão ,ao mesmo tempo que a do próprio Osumare. Este poder de se transformar
em serpente e ir até o céu deu origem à um Oriki (Poema) muito bonito: "
Osumare egó bejirin fonná diwó -O Arco -Íris que se desloca com a chuva e
guarda o fogo no punho!"

Certa vez, Sàngó viu Òsùmàrè
passar, com todas as cores de seu traje e todo o brilho de seu ouro. Sàngó
conhecia a fama de Òsùmàrè não deixar ninguém dele se aproximar.
Preparou então uma armadilha para capturar Òsùmàrè. Mandou uma audiência
em seu palácio e, quando Òsùmàrè entrou na sala do trono, os soldados
chamaram para a presença de Sàngó e fecharam todas as janelas e portas,
aprisionando Òsùmàrè junto com Sàngó.
Òsùmàrè ficou desesperado e tentou fugir, mas todas as saídas estavam
trancadas pelo lado de fora. Sàngó tentava tomar Òsùmàrè nos braços e Òsùmàrè
escapava, correndo de um canto para outro. Não vendo como se livrar, Òsùmàrè
pediu a Olorum e Olorum ouviu sua súplica. No momento em que Sàngó
imobilizava Òsùmàrè, Òsùmàrè foi transformado numa cobra, que Sàngó
largou com nojo e medo. A cobra deslizou pelo chão em movimentos rápidos e
sinuosos.
Havia uma pequena fresta entre a porta e o chão da sala e foi por ali que
escapou a cobra, foi por ali que escapou Òsùmàrè. Assim livrou-se Òsùmàrè
do assédio de Sàngó. Quando Òsùmàrè e Sàngó foram feitos Orisás, Òsùmàrè
foi encarregado de levar água da Terra para o palácio de Sàngó no Orum, mas
Sàngó não pode nunca aproximar-se de Òsùmàrè.
Referência Bibliográfica:
VERGER, Pierre; Orixás, Deuses Iorubás na Africa
e no Novo Mundo; 5.ª ed; Currupio, Salvador, 1997.
VERGER, Pierre;
Notas sobre o culto aos orixás e voduns; Edusp, São Paulo, 1999.
e vários sites